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Depois da saída traumática de Charlie Sheen por causa da série de excessos, os espectadores de “Two And a Half Men” ficaram apreensivos. Afinal, conseguiria o substituto Ashton Kutcher manter a série no topo como nos últimos anos? Depois de muita expectativa, finalmente estreou nos Estados Unidos o primeiro episódio da nova temporada do seriado. E a coluna o assistiu. A julgar por este novo começo, a resposta não é animadora.Ashton tem todos os atrativos necessários a um galã de TV. É bonito, alto, carismático. Mas tais qualidades atraem um público majoritariamente feminino. A audiência de “Two And a Half Men” é principalmente formada por homens, que se identificavam com as desventuras de Charlie Harper. Aliás, será difícil manter o tom das histórias exatamente por isso. O personagem de Charlie Sheen era um homem de excessos e loucuras tais quais o ator que o interpretava. Essa era parte da graça. Já Walden Schmidt, papel de Kutcher, é um jovem bilionário com pinta de deprimido – ele começa a série numa tentativa de suicídio para reconquistar a namorada – que consegue as mulheres que deseja pela aparência. Ou seja: não exalta necessariamente nenhuma característica irreverente de seu intérprete. Aliás, ao invés de abusar do humor, aqui se apela mesmo é pra nudez com as partes íntimas quadriculadas, claro.O primeiro episódio desta temporada, no entanto, teve bons momentos. Especialmente quando as ex-amantes de Charlie se reúnem no velório e relembram com amargura suas experiências com o malandro, que partiu para o Além depois de ser atropelado por um trem. Da mesma maneira, a mãe e o irmão se veem às voltas com a venda da casa que herdaram e a todo momento relembram o finado. Ou seja: mesmo morto, o personagem de Charlie Sheen continua força motriz do sitcom. É figura presente mesmo ausente. Vai demorar para que o público apague a imagem do bon vivant para se acostumar a do jovenzinho charmoso. É bom os produtores colocarem as barbas de molho. Por enquanto, ainda não há previsão de estreia da nova leva de capítulos da produção no Brasil.
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