Saiba o que acontece com o notebook na empresa de reciclagem. |

 

Saiba o que acontece com o notebook na empresa de reciclagem.

 
   Por Redação     Dia 24 de Janeiro de 2012     125 visualizações  
 
 
 
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Seu laptop ficou velho e vai para o lixo? Saiba o que acontece com ele num programa de reciclagem.

Bateria, drive de DVD, placa-mãe. Quando tudo fica obsoleto no computador, às vezes não há alternativa além de jogá-lo fora. Mas, mandar para a lixeira? Conforme aumenta a popularidade dos laptops, cresce também a preocupação de seu impacto no volume de lixo eletrônico. Um estudo da consultoria IDC apontou que a compra de laptops já ultrapassou a de desktops no Brasil. Por isso decidimos acompanhar o início do processo de reciclagem de um notebook no Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática da Universidade de São Paulo (Cedir-USP), que faz a triagem e a desmontagem dos aparelhos, para enviar os componentes aos recicladores.

 

Quando os notebooks chegam ao Cedir-USP ainda não são necessariamente lixo. Primeiro passam por um teste. Caso ainda possam ser reaproveitados, são destinados a organizações não governamentais, para uso educativo. Caso contrário, são encaminhados a um processo de desmontagem. No exemplo que acompanhamos, de um notebook Pavilion ze2000, que a HP lançou em 2005, foram necessários 30 minutos. Esse tempo pode ser menor, dependendo da complexidade do laptop e da experiência do técnico. Nos mais antigos, há peças plásticas soldadas às metálicas. Além disso, várias empresas usam parafusos próprios, que exigem chaves especiais. Depois de separado, o material é dividido em lotes e encaminhado a ONGs especializadas, que fazem a reciclagem.

O volume de notebooks vem aumentando, mas ainda não é muito representativo. O Centro de Recondicionamento de Computadores Oxigênio, em Guarulhos, na Grande São Paulo, recebeu 149 notebooks para reparo e reciclagem em 2009, frente a 2 500 desktops. “O número é baixo, pois o crescimento de venda dos notebooks é recente. Mas em um período de três anos devem começar a chegar mais”, afirma Rita de Cássia Marques, coordenadora do centro. Para ela, a tendência é de que a vida útil dos equipamentos seja reduzida, o que implica maior descarte. Segundo Ronylson Freitas, gerente de resíduos da Reciclo Metais, parceira do Cedir-USP, 98% de um notebook podem ser reaproveitados na reciclagem. Os 2% restantes se perdem no processo, mas não chegam a poluir o ambiente se forem tratados.

Se não tiverem o destino das recicladoras, os notebooks podem contaminar o solo, o ar e a água, principalmente se forem misturados ao lixo comum e descartados em aterros sanitários. A reciclagem dos materiais eletrônicos também requer cuidados e não pode ser feita por qualquer pessoa. As empresas precisam de tecnologia de isolamento e neutralização de resíduos, pois há materiais altamente prejudiciais à saúde. Durante o derretimento de metais, para separá-los de uma placa, substâncias como os retardantes de chamas se desprendem e atingem o corpo humano. As possíveis consequências vão de problemas neurológicos ao câncer.

Alternativas verdes de fábrica

De olho na onda ecológica e nos possíveis problemas futuros com o descarte, as empresas já estão investindo em aparelhos com menos compostos tóxicos. João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da Itautec, conta que muitas fabricantes já vendem produtos no Brasil alinhados à proposta verde e a selos de qualidade como a Restrição de Certas Substâncias Perigosas (RoHS) e a Ferramenta de Avaliação Ambiental para Produtos Eletrônicos (Epeat). “Mesmo assim, elas mantêm no mercado, junto com os aparelhos ecológicos, linhas não atualizadas, cujos padrões fogem aos das certificações”, diz Redondo. A Itautec mantém um centro de reciclagem em sua sede de Jundiaí, no interior de São Paulo. Outras empresas, como Sony e Lenovo, lançaram notebooks e netbooks verdes, feitos com materiais reaproveitados. O Vaio W Eco, da Sony, que era um produto-conceito, ficou apenas dois meses nas prateleiras. “Vamos usar o aprendizado e parte das ações implementadas para o modelo na produção de outros notebooks”, diz Willen Puccinelli, gerente da linha Vaio.

Bateria

Hoje, as baterias são de lítio, metal menos tóxico que as ligas de níquel-cádmio. O baixo volume enviado para reciclagem dificulta a viabilidade do processo, que no Brasil é feito junto com o tratamento de resíduos industriais. A Suzaquim transforma as baterias em agregado para concreto, enquanto a Umicore exporta o material para a Europa, onde ele é reaproveitado.

Tela

Apesar de a tela ter materiais com bom valor para reciclagem, como o vidro, as ONGs geralmente precisam pagar para se desfazer delas. Muitas contêm lâmpadas contaminadas com mercúrio. Os LEDs não usam mais o metal.

Parafusos

Ter muitos parafusos dificulta a desmontagem. Neste notebook há 91 — 50 deles para fixar as peças. Se elas fossem encaixadas, como em laptops ecológicos, poderia haver só 9.

Memória RAM

Segundo o Instituto Akatu, a fabricação de um chip de memória consome 1,7 quilo de combustíveis fósseis e produtos químicos, o que representa 400 vezes o seu peso.

Processador

Os metais nobres usados nos processadores garantem 90 reais por quilo do material. Mas a reciclagem é prejudicial à saúde e só deve ser feita por empresas especializadas.

Disco Rígido

O HD, como outras peças, rende pouco se estiver montado. Inteiro, 1 quilo vale 2 reais. Quando está desmembrado, o valor aumenta. Um quilo de placas de HD sai por 8 reais.

Carcaça

A carcaça é de alumínio e plástico. O alumínio é rentável para reciclar, mas a parte plástica é um pouco mais complicada: há até seis tipos diferentes na carcaça e 3% do plástico estão contaminados por compostos tóxicos.

Placa-Mãe

Nas placas encontram-se 2 300 peças, que contêm 16 metais nobres. Processadas com materiais industriais, elas viram agregado para concreto. Mas as placas também têm elementos tóxicos como mercúrio, chumbo e estanho, perigosos para o solo e para a água.

Drive de CD/DVD

Segundo a Itautec, o drive de DVD é a peça que mais contém ouro no laptop. O metal está no fl at que lê o sinal de áudio nos discos.

 
 

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